A Florista da Esquina

Data: 2010-02-04 | Autor: Pedro Gomes

A crise económica que ainda abala as economias mundiais, colocando em perigo a saúde financeira das famílias, da banca e dos Estados, abalou pressupostos económicos tidos por assentes e a celebração absoluta do mercado, como instrumento para a solução de todos os problemas económicos.

O colapso do Lehman Brothers – o segundo maior banco de investimentos dos EUA – e a crise do mercado do sub prime trouxeram à luz do dia um problema geral de desregulação dos mercados, fruto duma concepção económica liberal, segundo a qual os mercados oscilam de modo virtuoso, entre a oferta e a procura, duma forma quase mecânica e organizada pela “mão invisível”, na célebre expressão de Adam Smith.

A crise dos mercados financeiros, arrastando as outras crises - e dos fenómenos que lhes estiveram associados – não conduzir a uma outra ilusão, agora de sinal contrário. Perante a ausência de regulação dos mercados e uma apreciável liberalização económica, há agora quem se apresse a enaltecer as virtudes da intervenção pública do Estado nas mais diversas áreas da economia, como se esta intervenção pudesse significar um novo paradigma económico.

Acreditar no papel do Estado numa economia de mercado, não pode significar uma nova estatização, sob o signo da salvação das empresas, do emprego, da fileira económica ou como mote para a estabilidade social. Como também não deve traduzir uma atabalhoada revisitação keynesiana, despropositada e inconsequente.

Numa economia pequena, periférica e bastante dependente, ainda, da esfera pública, as teses da intervenção do Estado – leia-se da região – na economia parecem fazer escola na pardacenta governação socialista.

Invocando propósitos gerais, o Governo Regional (GRA) prepara-se para intervir na economia, adquirindo posições de capital em empresas em dificuldades económicas, sem que se perceba a coerência da intervenção. À crise nas empresas, o GRA parece responder com uma nacionalização do seu capital social.

O GRA ao agir deste modo, sem identificar o interesse estratégico que pretende acautelar, faz da intervenção pública uma arbitrariedade, recuando ao tempo em que o Estado era dono duma parte significativa da economia – da banca à comunicação social.

A florista em que costumo comprar flores, também sofre com a crise. O Governo Regional está disposto a comprar uma parte do seu capital social?

Acores 2012
Patrao Neves


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